- Fonte:
in Jornal Serras da Pampilhosa,
Mês de Novembro, 1ª página
-
- Assim,
conforme o quadro referenciado, em 1960 a aldeia tinha 111 habitantes; em
1970 63; em 1981 32 e em 1991 apenas 26, sendo estes últimos as sua maioria
idosos ( com mais de 65 anos ). Foi, pois, a partir da década de sessenta
que o seu declínio populacional se tornou inexorável, já que, por um lado
a mortalidade aumentou com o envelhecimento da população, e, por outro
lado, a emigração em massa sobretudo para Lisboa dos seus naturais levaram
aquela situação.
- Se
tivermos em conta apenas estas variáveis talvez chegássemos à triste
conclusão de um eventual desaparecimento da aldeia a médio prazo.
- Porém,
neste momento, em consequência de três casais jovens que se fixaram nesta
aldeia, a natalidade aumentou e poderá inverter este processo, já que
actualmente se verifica, um crescimento da população que se cifra em 33
habitantes, dos quais 11 estão na faixa etária dos 20 aos 40 anos; e oito
entre os 1 e os 15 anos, sendo os restantes idosos com mais de 65 anos.
- Apesar
de tudo, segundo Hermano Almeida (presidente da Câmara Municipal de
Pampilhosa da Serra) “Carvoeiro é uma aldeia
semi-desabitada” mas que ganha vida nos meses de Verão à semelhança
do que acontece no restante concelho em que a população quintuplica,
justificando assim o investimento que aí se tem desenvolvido ”.
- Por
seu lado, o Presidente da Junta da Freguesia de Pessegueiro, Manuel Fernando
de Almeida, afirmou ao jornal Serras
da Pampilhosa: “ é com grande nostalgia
que vemos as aldeias da freguesia a caminhar para a desertificação, a razão
de tal fenómeno deve-se talvez, em grande parte, ao baixo nível económico
da populações e à pouca coragem dos nossos governantes, que ao longo de
todos estes anos tem sistematicamente esquecido o nosso concelho. Não é
pois de estranhar que as gentes deste concelho tenham procurado outras
paragens para poderem viver uma vida melhor.”
- Se
o poder local continuar a investir em infra-estruturas e acessibilidades,
como tem vindo a fazer, as actividades económicas ( comércio, pequena indústria,
artesanato e turismo cultural e de montanha ) poder-se-ão animar
potenciando postos de trabalho e, por conseguinte, fixar no futuro
localmente as poucas crianças existentes, dando assim continuidade à
aldeia, que é tema deste trabalho.
-
- TOPO
-
- 3.3 Cultura
Popular (costumes e tradições)
- A
cultura popular da aldeia insere-se na do próprio concelho e até na de
muitas outras aldeias beirãs, sendo rica e diversificada.
- Os
costumes e tradições apesar de se terem vindo a perder ao longo do tempo,
alguns continuam a perdurar devido às memórias dos habitantes da terra que
vão lutando para que permaneçam intactas. Das tradições e costumes de
Carvoeiro recolhemos as seguintes manifestações profanas:
- -
As janeiras: no dia 31 de Dezembro de cada ano a juventude da aldeia
juntava-se num grupo misto e homogéneo que percorria todas as habitações
a pedir as janeiras: ó senhora lá de casa/sentada numa cortiça/ dê lá
volta a casa/ dê-me cá uma chouriça. Depois juntavam-se numa casa
normalmente desabitada, onde, quais cozinheiros de ocasião, confeccionavam
os alimentos angariados banqueteando-se, prolongando a noite até ao dia
seguinte.
- Veja-se
como um autor nascido na própria aldeia, Laércio Antão, descreve as
janeiras do seu tempo.
-
-
- As Janeiras
-
-
Antes que surgisse o mês de Janeiro
-
Pedia-se a carne e as chouriças
-
Que, com batatas e hortaliças,
-
Fazia um banquete por inteiro!
-
-
Festa, alegre, feita sem canseiras,
-
Batia mais forte o nosso coração.
-
Grupos de jovens, cozinheiros de ocasião,
-
Festejavam, juntos, as Janeiras!
-
-
Comia-se muito, era uma folia!
-
Cotavam-se histórias d’encantar
-
Ou lendas do antanho, cheias de magia.
-
-
E, assim, se acabava aquele serão
-
Vivido intensamente a sonhar...
-
Com a alma impregnada de emoção!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº
9903, 4 de Novembro de 1992
-
-
-
- A matança do porco: dadas as dificuldades do quotidiano de todas
as gentes do Carvoeiro a criação do porco ou porcos era prioritária para
a sua alimentação. Deste modo, todos os habitantes ao longo de variadíssimas
gerações criavam anualmente porcos que, por altura de Dezembro-Janeiro de
cada ano, faziam a sua matança. Era um evento festivo, já que era pretexto
para encontro familiar através de uma abundante ceia confeccionada
sobretudo com algumas partes do porco – a cachola. Depois desmanchava-se,
dividia-se a sua carne, faziam-se as morcelas e chouriças ( secando-as ao
fumo da lareira ) e guardavam-se esses alimentos em locais próprios: a
carne nas “ salgadeiras” e as chouriças na banha, que serviam assim de
conduto para o resto do ano.
- -
O mastro: colocava-se perpendicularmente num local próprio um pinheiro sem
ramos e, ao longo de várias semanas a juventude masculina ia trazendo ramos
verdes e secos que iam juntando em circulo ao redor do pinheiro. Na noite de
23 para 24 de Junho essa lenha era incendiada ardendo em labaredas, e à sua
volta os jovens brincavam e saltavam até de madrugada. Depois, antes do
nascer do sol, todos se deslocavam até ao Rio Unhais onde eram obrigados a
banhar-se nas suas águas frias. O autor mencionado anteriormente descreve
esta tradição da seguinte maneira.
-
- O
Mastro
-
-
Durante alguns meses de Verão
-
Juntava-se a lenha ao redor do mastro.
-
Para, depois, na noite de São João
-
Arder, cintilante, como um astro!
-
-
À sua volta, enquanto ardia,
-
Saltava-se e ouvia-se cantar.
-
Era tal o entusiasmo e a alegria
-
Que até os adultos gostavam de dançar...
-
-
Donde teria vindo aquela tradição?
-
Aquele gosto de ver o mastro a arder
-
Que era gerador de tanta emoção?!
-
-
Herdada dos Mouros ou dos Monges?
-
E para que seria aquela lenha a arder?
-
Talvez, para afastar as pestes para longe!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9904, 26 de Novembro de 1992
-
-
- -
As desfolhadas e as debulhas: em termos agrícolas o milho representava
quase a sobrevivência dos habitantes da aldeia. Este cereal era semeado,
sachado e regado várias vezes até à sua maturação. Por volta de finais
de Setembro-Outubro as espigas do milho eram apanhadas e transportadas até
aos seus locais de recolha.
-
Depois em grupos colectivos juntavam-se
para desfolhar as espigas e de seguida fazer a sua debulha. Esta, era feita
através de artefactos próprios e prolongava-se por longas horas.
-
Tanto as desfolhadas como as debulhas eram
pretexto para convívio sadio e salutar.
-
Durante as desfolhadas, quem encontrasse
uma espiga de milho vermelha ( espiga raínha ) tinha de dar um abraço a
todos os rapazes/raparigas.
-
Veja-se como o mesmo autor aborda estas
tradições:
-
-
- As
Desfolhadas
-
-
Eram tardes e noites esquecidas...
-
Aquelas em que se faziam as desfolhadas.
-
Desnudavam-se as espigas, apetecidas,
-
Feitas de ouro e a prata, debruadas!
-
-
Nelas se juntava a nossa gente
-
Jovens, adultos e anciãos.
-
Contavam-se histórias, alegremente,
-
Enquanto se desfolhavam com as mãos.
-
-
Momentos calmos que compensavam
-
A vida árdua que levavam
-
Na sua luta sublime com a terra...
-
-
Um sorriso, terno, ao recolher
-
O fruto de canseiras – que dizer?
-
É, assim, o Homem da Serra!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9871, 3 de setembro de 1992
-
- As
Debulhas
-
-
Eram tão alegres os serões ao luar
-
E, as noites, cálidas, tão divertidas.
-
Sentia-se os paus a bater nas espigas
-
E ouvia-se os sons dos malhos a malhar!
-
-
Geravam corações, ledos em comunhão;
-
Inter ajuda, solidariedade, alegria;
-
Amizade, ternura, tanta fantasia...
-
A um povo, bom, que vivia em união!
-
-
Eventos árduos feitos a cantar
-
E a contar histórias ancestrais
-
Que pareciam coisas lindas de encantar...
-
-
Animavam e alegravam os corações
-
Cantavam como se fosse em arraiais,
-
Era um encanto aqueles serões.
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº9879, 24 de setembro de 1992
-
-
-
-
- As vindimas: a aldeia vivia intensamente a época das vindimas por
volta da primeira quinzena de Outubro de cada ano. Normalmente era feita em
termos colectivos e de interajuda entre os diversos pequenos proprietários
da aldeia, trocava-se o trabalho em vez do pagamento em dinheiro. Dado que
abundava aqui a pequena propriedade, em alguns casos pequenissimas leiras, o
vinho que se produzia era apenas para consumo local. A festa das vindimas
estava intrinsecamente arreigada no imaginário colectivo da aldeia.
-
Atestando este facto, veja-se como o autor que vimos citando fala
sobre as vindimas que presenciou:
-
-
-
-
- As
vindimas
-
-
Quando as uvas, de tom reluzente,
-
Coloridas, doces, já maduras,
-
Faziam-se as vindimas, ternamente,
-
Numa azáfama cheia de ternuras!
-
-
Era um regalo ouvir as cantigas,
-
As risadas, ledas, emoções sem par;
-
Enquanto os rapazes e as raparigas
-
Em diálogo, idílico, pareciam sonhar!...
-
-
Cortadas, uma a uma, os cestos enchiam
-
E aos ombros do homem p’ras dornas
seguiam
-
Num trabalho, alegre, cheio de emoção...
-
-
Tarefa tão linda, sempre desejada.
-
Sempre repetida e sempre encantada
-
Que tanto fascinava o coração!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9896, 5 Novembro de 1992
-
-
- -
A festa do Carneiro: realizava-se pelo Carnaval e era feita exclusivamente
pelos alunos da escola que se fantasiavam e, com a ajuda dos pais, ofereciam
um carneiro à professora, sendo depois ocasião para a realização de um
baile e peças de teatro.
-
- Manifestações
religiosas:
-
- O Bodo: é uma das tradições mais
antigas desta aldeia e teria tido inicio a pretexto de uma promessa de um
habitante do Carvoeiro ao Sr. do Bonfim, padroeiro da aldeia. O Bodo
continua a fazer-se embora perdendo o seu objectivo inicial que era o de
compartilharem o pão com os pobres.
-
Esta festa é organizada pelos mordomos,
sendo os mesmos nomeados anualmente. É normalmente um dia de festa,
animando a aldeia e optimizando a solidariedade comunitária.
-
-
- As Boas Festas: na Segunda-feira da Pascoela era feita em toda a
aldeia a visita Pascal, que consistia na visita domiciliária do Pároco da
Freguesia dando a beijar o Menino.
-
Este evento de cariz religioso representava
muito na religiosidade das gentes da aldeia. Actualmente pela falta de
padres deixou há alguns anos de se efectuar.
-
- -O
toque do sino: sempre que acontecia alguma coisa de anormal na aldeia (
pessoa falecida, incêndios...), o sino ouvia-se em
badaladas sonoras avisando a gente da aldeia para algo que tivesse
acontecido.
-
- A festa em honra do padroeiro: Durante várias décadas a festa
religiosa em honra do Sr. do Bonfim, realizava-se a 20 de Setembro de cada
ano. A partir do inicio da década de 90 a mesma passou a realizar-se no
terceiro Sábado de Agosto de cada ano. O seu programa consistia na realização
da Eucaristia, a procissão e o leilão de oferendas, cuja receita revertia
para os cofres da capela.
-
A festa profana consistia nos bailaricos
muito concorridos efectuados ao som da guitarra e do harmónio, sendo
pretexto para animadas desgarradas.
-
Actualmente, estas tradições vão-se
perdendo, já que esses instrumentos e esses bailaricos vêm sendo substituídos
pelos conjuntos musicais que proliferam por esse Portugal fora.
-
Os jogos tradicionais fazem também parte
integrante da cultura desta aldeia. Destes destacamos: o jogo da malha e o
jogo do pião.
-
A gastronomia: dos pratos mais típicos da
aldeia destacamos a chanfana de cabrito, o bucho, a tiborna ( que era feita
no lagar de azeite ), o arroz doce, a tigelada e as filhós, iguarias
normalmente confeccionadas nos dias de festa ( Natal, Páscoa e Festa anual
do Padroeiro ).
-
Mas, os habitantes da aldeia comiam
sobretudo aquilo que produziam: os ovos, as galinhas, os cabritos e os
porcos.
-
Algumas das tradições da aldeia estão
intrinsecamente ligadas ao domínio económico.
- TOPO
-
- 3.4. Uma
economia de subsistência
-
-
O Carvoeiro tem uma economia débil, de pura subsistência que tinha
como base a agricultura. Nesta destacava-se a cultura do milho e da batata,
a base da alimentação das populações aqui residentes. O milho era uma
cultura intensiva e de regadio. Extremamente trabalhosa, já que implicava a
sementeira, a sacha, a rega, o desfolhar, a colheita, a debulha e a seca dos
grãos ao sol nas tradicionais eiras.
-
Por seu lado, a irrigação implicou a
construção de levadas algumas com muitos quilómetros, em alguns lugares
esculpidas nas rochas e que demonstram bem o trabalho árduo desta gente.
Como artefactos utilizados na agricultura destacamos: o arado de ferro que
puxado por bois, lavrava as pequenas eiras; o arado de madeira que abria os
regos para semear o milho e as batatas; a grade, instrumento de madeira com
dentes afiados que servia normalmente para cortar as leivas da terra e aplaná-la
para a sementeira; a enchada; o sacho; o ancinho ( artefacto de ferro com
dentes ).
-
Na recolha que fizemos no jornal A
Comarca de Arganil o autor que vimos citando, descreve estes
instrumentos do seguinte modo:
-
-
- O
arado
-
-
Puxado pelos bois, lavrava a terra.
-
Mansamente, ia voltando as leivas.
-
Era um instrumento querido da Serra
-
Porque dele dependiam as sementeiras.
-
-
Tarefa grandiosa a do arado
-
Que as mãos do homem guiavam com mestria.
-
Lavrar a terra era trabalho sagrado
-
Feito com amor, zelo e alegria.
-
-
Por isso, era momento de festa
-
Mesmo sem gozar a sesta
-
E com suor a inundar o rosto...
-
-
Era trabalho pesado, sem pesar.
-
Missão nobilante a executar,
-
Porque o homem a fazia com gosto!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9833 4 de junho de 1992
-
-
-
- A
grade
-
-
Instrumento de madeira e afiados dentes
-
Era um evento de fabrico artesanal.
-
Puxado pelos bois, continuamente,
-
Cortava as leiras de forma sempre igual.
-
-
Num vai-e-vem muito repetido,
-
Deixava a terra pronta a semear.
-
Trabalho nobre, árduo e apetecido
-
Mesmo executado quase sem parar.
-
-
Eram as nossas gentes a executar
-
Uma tarefa ancestral de exaltar
-
Que dignificava o homem da serra...
-
-
Missão gratificante e meritória
-
De mãos dadas com a nossa história
-
Na sua luta insana com a terra!
-
- O
sacho
-
-
Enchada pequena com têmpera cortante,
-
Comprado no mercado ou feita no artesão.
-
Era um utensílio muito importante
-
P’ra sachar o milho, batatas ou feijão.
-
-
Tarefa feminina, por excelência.
-
Trabalho feito com muita alegria.
-
Ranchos executando-o com ardência
-
Ao som de cantigas – que leda sinfonia!
-
-
Poema bucólico escrito com suor,
-
Com a música pautada no ardor,
-
Esculpido num livro muito apetecido...
-
-
Livro assinado pela nossa gente,
-
Pelas mulheres que amam e sentem,
-
Mas compêndio que nunca foi lido!...
-
-
-
- O
ancinho
-
-
De dentes afiados em forma de pente
-
Que as mãos do homem manejavam com
mestria.
-
Cavava e esmiuçava a terra, manualmente,
-
Nas leiras onde o arado não cabia.
-
-
Com o Astro-Rei a jorrar calor
-
E a dura terra difícil de virar.
-
Era um trabalho cansativo, mas de valor
-
Esta missão, extenuante, da terra cavar.
-
-
Ai, tanto esforço p’ra tão escasso pão!
-
Ai, tanta luta e tanta desilusão
-
E a lei da vida sempre tão desigual!...
-
-
A uns dava tudo quase sem trabalho;
-
A outros apenas suor e nenhum agasalho
-
Porque parentes pobres deste Portugal!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9839,9865 e 9850 de 1992
-
-
O transporte dos produtos agrícolas dos locais de produção para a
aldeia eram feitos através do tradicional carro de bois. Veja-se como o
mesmo autor fala desta situação:
-
-
-
- O
carro de bois
-
-
Duas rodas, o tampo e a tiradeira
-
À qual os bois, fortes, se prendiam.
-
Puxavam-no, com ardor, pela ladeira,
-
Em esforço insano e mútuo se uniam.
-
-
O animal e o homem lado a lado,
-
Em luta paralela plena de ardor.
-
Foi, assim, o quotidiano do passado
-
Nesta Serra agreste, mas cheia d’amor!
-
-
Era um enlevo ouvir o carro a sibilar,
-
Entoando sinfonias lindas de encantar,
-
Transportando os produtos da terra...
-
-
Pareciam sons divinos e melódicos,
-
Prenhes de magia, ledos e bucólicos,
-
Que tanto se identificavam com a serra!
- In
jornal A Comarca de Arganil, nº 9899, 12 de Novembro de 1992
-
-
A moagem dos cereais e a azeitona era feita em moinhos de água
normalmente colectivos e no lagar este, único para toda a aldeia.
-
Existiam também fornos colectivos onde a
população cozia a broa de milho, base da sua alimentação.
-
Paralelamente, existiam outras actividades
económicas que serviam de complemento da agricultura, nomeadamente a pastorícia
( rebanhos de cabras e ovelhas) e o aproveitamento da floresta ( o pinheiro
que produzia a madeira e a resina ) e que teve alguma relevância económica
na aldeia; a vinha, a aguardente de medronho, a produção de azeite e de
mel.
-
Embora a matriz económica desta aldeia
assente naquilo que descrevemos existiam algumas profissões tradicionais,
nomeadamente um carpinteiro ( Manuel Roque); dois pedreiros ( Manuel e António
Martins ); um sapateiro ( do
qual apenas apuramos que se chamava Manuel ); um ferreiro ( José Lopes ) e
um alfaiate ( Manuel Neves ). Existiu ainda na primeira metade deste século
o Barbeiro, de nome Alberto Magno de Oliveira, uma figura que ainda hoje
resiste á memória do tempo, tantos foram os serviços por ele prestados no
âmbito da medicina tradicional numa altura em que os médicos praticamente
eram inexistentes em todo o concelho.
-
Segundo apurámos foi um homem letrado da
aldeia e durante décadas correspondente do jornal a Comarca de Arganil que
temos vindo a citar ao longo
deste trabalho.
-
Foi um verdadeiro “João semana” já
que segundo nos contaram o Barbeiro em causa prestava muitas vezes o seu
serviço sem qualquer recompensa económica.
-
Houve também na aldeia um negociante de
gado, homem que fez história e liderou em muitas ocasiões as questões
colectivas da comunidade. Chamou-se Francisco Antão.
-
Recentemente, por iniciativa da Comissão
de Melhoramentos local, presidida pelo Sr. Nuno Ramos, foi feita a toponímia
das ruas da aldeia, com alguns destes nomes que marcaram a sua história. (
ver anexo II)
-
- TOPO
-
- 4
– Carvoeiro de hoje
-
- Como já foi demonstrado quando tratámos
a demografia da aldeia, estes últimos 40 anos transformaram quase
radicalmente a vivência diária de outrora. Assim, o êxodo que se
processou em direcção ao litoral teve como consequência o abandono das
terras de cultivo, estando hoje muitas delas irreconhecíveis, existindo as
silvas onde no antenho floresceu o milho. As antigas casas de despejo estão
em escombros, as adegas abandonadas, os artefactos agrícolas enferrujados
ou desaparecidos. Já não se ouvem os carros de bois, nem se vêem na
paisagem os rebanhos de caprinos e ovinos.
-
Os actuais habitantes cultivam apenas os
pequenos quintais junto da povoação onde produzem algumas batatas e
hortaliças. A povoação continua ainda rodeada de oliveiras das quais
anualmente são apanhadas as azeitonas e transformadas em azeite. No
entanto, essa transformação é já feita em lagares industriais situados
fora da zona geográfica da aldeia ( Lousã ou Castanheira de Pêra ), pois
o lagar tradicional há muito foi abandonado. Também os moinhos de água e
os fornos colectivos estão já em escombros.
- Veja-se a forma como o mesmo autor
retracta estas infra estruturas hoje em abandono:
-
- O
lagar
-
-
Era um lugar fraterno – o do lagar
-
Que no Inverno a luz nos acendia.
-
Do seu rodar contínuo, sem parar
-
Alimento e vida dele surgia...
-
-
Tarefa infinita e divinal
-
Empreendida com amor acrisolado.
-
Dela brotava o azeite – qual cristal,
-
Raio de luz, diamante imaculado.
-
-
Em certas noites surgiam as “tibornas”
-
E a fornalha tornava as manhãs mornas,
-
Era transcendente a sua acção...
-
-
Que, vivida pelo povo, intensamente,
-
Dela tirava o provento, alegremente,
-
E lhe enchia de amizade o coração!
-
-
-
-
-
- O
moinho
-
-
Rodopiavas, incessante, sem parar
-
Alimentado pela água da Ribeira.
-
No teu rodar contínuo, sem cessar
-
Moías o milho seco na Eira.
-
-
Do teu esforço insano nascia a farinha
-
Que, amassada pelo homem, era o seu pão.
-
Era um trabalho divino feito com carinho
-
Que à nossa gente retemperava o coração.
-
-
Passou o tempo, estás abandonado.
-
Já não tens portas nem telhado,
-
Apenas a tua mó ali perdura...
-
-
Os homens fugiram, deixaram-te sozinho,
-
Sentes-te um objecto inválido, velhinho,
-
Vives triste, envolto em amargura!...
-
-
-
-
- O
Forno
-
-
Aquecido pela nossa mão
-
Com a lenha do pinheiro.
-
Aqui se cozia o pão
-
Que se comia à lareira.
-
-
Era o local por excelência
-
Onde muita gente vinha.
-
Lugar de boa vivência
-
Que tanta importância tinha.
-
-
Mudaram-se os tempos, tudo se acabou.
-
Já não há gente onde gente morou
- E
o forno está, agora, destelhado...
-
-
É tão triste ter sido na vida alguém.
-
Ter sido útil e importante, também,
- E
ver-se, agora, só, abandonado!
- In
jornal A Comarca de Lisboa, nº 9824, 9821 e 9830 de 1992
-
-
-
- A
escola fechou em 1968 por falta de alunos e a floresta foi dizimada pelos
fogos florestais.
-
Paradoxalmente, os habitantes a residir na
aldeia têm hoje uma melhor qualidade de vida em consequência de reformas
sociais ( os mais idosos) e de maior facilidade de emprego ( construção
civil e outras actividades ) dos mais jovens,
-
Em termos de infra-estruturas colectivas a
aldeia tem hoje quase tudo dentro do mínimo exigido: ruas asfaltadas, luz
eléctrica, água ao domicilio, casa de convívio ( onde as gentes da aldeia
se reúnem em amenas cavaqueiras ), telefone, entre outras.
-
As pessoas que deixaram a aldeia nas décadas
de 50/60 e 70 tiveram quase todas um grande êxito profissional, havendo
mesmo muitas delas detentoras de autênticas fortunas. Deste modo, aliando o
poder económico ao amor acrisolado que nutrem pela sua terra natal, o
Carvoeiro tem hoje lindas vivendas que vão tendo vida, sobretudo na época
de Verão, Natal, Páscoa e, também, em muitos fins de semana prolongados
que são aproveitados para a sua deslocação de Lisboa à aldeia, já que
hoje as acessibilidades são de razoável qualidade.
-
Mas a modernidade não trouxe somente o
abandono das actividades tradicionais, do património e artefactos que as
sustentavam, trouxe também novos comportamentos e novas atitudes em relação
ao colectivo da aldeia.
-
Pelo que nos foi possível auscultar a
solidariedade colectiva não é já tão sadia e fraterna como no antenho.
-
Hoje a aldeia vai-se debatendo com o perigo
inexorável da perda de identidade ligada às suas antigas tradições e
costumes. Os Media também aqui já
vão fazendo as suas mossas, a informação vai chegando e os costumes
alterando.
-
Tradições como a matança do porco, as
janeiras, o mastro, as vindimas ou as debulhas de que fizemos referência, são
hoje pouco mais do que “coisas” esquecidas no tempo.
-
- TOPO
-
- 5
– Carvoeiro de amanhã
-
-
O Carvoeiro do futuro será necessariamente herdeiro do Carvoeiro do
presente. São, portanto, os Carvoeirenses de hoje que influenciarão aquilo
que a sua aldeia virá a ser no futuro.
-
O ciclo da agricultura que prevaleceu até
à década de 70 estará irremediavelmente condenado.
-
A sua população actual ( com um ligeiro
rejuvenescimento ) poderá indiciar
um revigoramento na sua estrutura. No entanto, essa ideia poderá não ser tão
linear, uma vez que a sua fixação futura poderá depender daquilo que a
aldeia e o concelho lhes proporcionar a nível de emprego e qualidade de
vida.
-
O amanhã risonho desta aldeia serrana não
deverá passar pelas actividades tradicionais que ao longo dos últimos dois
séculos marcaram o viver das suas gentes. A história dos homens é mutável
e a mudança é inexorável. Por isso pensamos que o futuro demográfico,
económico e social passará por outros actividades profissionais,
nomeadamente pelo emprego a tempo certo na sede do concelho em instituições
públicas ou privadas, pela ocupação de alguma mão-de-obra na construção
civil ( construção de habitações na aldeia ou fora delas ); pelo possível
desenvolvimento do turismo cultural, que por seu lado poderá potenciar o
incremento da apicultura, de produtos artesanais ( ex, a aguardente de
medronho ) produtos que poderão ter uma qualidade acima da média e serem
por isso rentáveis.
-
Paralelamente, poderá ser posto em marcha
projectos de reflorestação que poderão ser uma mais valia económica para
esse futuro.
-
Será preciso também trazer para essa
actualidade as tradições que se perderam, construindo o projecto já
elaborado da reconstrução da antiga escola (ver anexo III), para nela ser
criado um museu etnográfico cujo embrião existe actualmente na casa de
convívio ( ver anexo IV), a ser incorporado num futuro roteiro turístico
cultural: museu concelhio - museu de Carvoeiro, o Museu de Carvalho, o Museu
Nunes Pereira de Fajão e possivelmente outros, que viriam a dar vida e
alguma prosperidade à aldeia.
- Acrescente-se a possível corporação em
futuros projectos mútuos com a aldeia vizinha de Carvalho e cuja geminação
recente atesta essa vontade ( ver anexo V ).
- Assim, com a congregação do actual
dinamismo autárquico e das actuantes gentes
da aldeia o seu futuro poderá ser radioso e próspero.
-
-
- TOPO
-
-
- 6
– Conclusão
-
-
Pelo que ficou exposto pode-se concluir que a aldeia de Carvoeiro em
termos de êxodo rural e abandono de actividades tradicionais é paradigmática
daquilo que se passou a partir da década de 50 no mundo rural português: a
transferência imparável das populações do inteior em direcção às
grandes cidades do litoral, sobretudo Lisboa, Porto e Coimbra.
-
Pelo contacto directo que tivemos com os
seus actuais habitantes e com os autarcas do concelho é possível avançarmos
com as seguintes ideias:
-
Que as actuais actividades económicas não
são já a tradicional agricultura ou a exploração da floresta, mas as
reformas sociais para os mais idosos ou alguns empregos na construção
civil. Apesar de tudo, e por paradoxal que pareça, a qualidade de vida das
suas gentes será eventualmente
melhor do que as que os antecederam.
- A
população foi envelhecendo, a agricultura deixou de ter mão-de-obra e
passou a ser apenas de subsistência ou simples divertimento. Os costumes e
tradições revitalizam-se nos meses de Verão quando estão presentes os
i(e)migrantes, filhos da terra, trazendo as novas gerações.
- Actualmente
a aldeia tem todo um conjunto de infraestruturas básicas como a água, luz,
saneamento básico, estradas que se devem principalmente, às acções da
Comissão de Melhoramentos do Carvoeiro.
- Toda
a evolução da aldeia está intimamente ligada à própria evolução do
concelho porque não se trata de um sistema isolado.
- Para
um Carvoeiro de amanhã as opiniões dos seus habitantes não são muito
positivas apesar de acreditarem e terem confiança das acções da Comissão
de Melhoramentos que tem uma direcção muito jovem e que envolve muitos
jovens filhos de emigrantes desta terra.
-
-
- São
apontados problemas como a falta de sinceridade, de solidariedade entre as
pessoas que à primeira vista seriam apontadas como características da
vivência urbana; a falta de boas vias de comunicação que são
fundamentais para poder atrair mais pessoas, atrair a juventude através da
realização de actividades desportivas, de actividades em contacto com a
natureza que tem muito para oferecer... Um outro aspecto foi o facto da
falta de assistência médica ter sido pouco salientada (por alguns nem foi
referida) facto talvez explicado pela proximidade a Coimbra ou recorrência
às especialidades médicas em Lisboa.
-
- “O que falta é conservar o que há, porque o
necessário já está feito”
- Sr.
Samarra
-
- O futuro não é muito risonho, apesar de haver
infra-estruturas. A aldeia acabar ? Talvez não acabe, o problema é que não
evolui.”
- Sr.ª
Mª Teresa, secretária do presidente da junta do Pessegueiro
-
- De
facto é uma aldeia que não foge à regra das restantes aldeias beirãs e,
tal, como elas tem visto a sua população a decrescer no sentido da
desertificação. Mas têm sido tomadas medidas para combater esta triste
realidade através da acção conjunta entre a junta de freguesia e
as comissões de melhoramentos.
- Um
aspecto que achamos interessante é
o amor que os oriundos desta aldeia têm por ela. No Verão, principalmente
no mês de Agosto, a população
quintuplica e há um enorme espírito de camaradagem entre eles. Todos
ajudam para que as tradições antigas não acabem, todos colaboram em nome
de uma comunidade. Algo que se tem vindo a perder entre os habitantes que
vivem permanentemente na aldeia. O problema é que não é de um mês que
vive um ano!
- A
Comissão de Melhoramentos tem actuado para não deixar acabar esta aldeia e
para retomar as suas principais tradições. Mas, para isso, é necessário
o apoio de todos os habitantes, e que as pessoas se unam em torno de uma
causa comum que só traz vantagens para todos, mesmo aos forasteiros, porque
impede a desertificação total da aldeia
e o desaparecimento de costumes e tradições que não fazem parte
apenas de uma cultura local mas também nacional.
- É fundamental, nos dias de hoje, criar
novas oportunidades para as áreas rurais, desenvolvendo a agricultura (ex,
caprinicultura...), protegendo e utilizando o património natural e cultural
e o próprio desenvolvimento de actividades não agrícolas exemplo do
parque industrial, os serviços e o turismo
que se realizaram a nível de um concelho o que reflectirá
certamente na dinâmica da aldeia do Carvoeiro.
- A actual situação demográfica indicia
um rejuvenescimento que poderá potenciar a não desertificação da aldeia
a longo prazo. Simultaneamente as actuais infra-estruturas da aldeia que
garantem já alguma qualidade de vida, juntamente com o dinamismo das sua
populações , os projectos já em embrião e as perspectivas de
desenvolvimento turístico do concelho, poderão ser instrumentos e uma mais
valia para a sua prosperidade.
- TOPO
- 7 – Biografia
- VICENTE, António dos Santos, (1995), Vida e Tradições nas aldeias Serranas
-
Da Beira;
-
- MACHADO, António Lopes, (1994), Crónicas Regionalistas, Região de Arganil ;
-
- BARATA, Carlos; Gaspar, Filomena (1994), Levantamento
Arqueológico do
-
Concelho
de Pampilhosa da Serra;
-
- Carvalho
e as suas Gentes,
(1991), núcleo da casa-museu, da Liga de
- Melhoramentos
de Carvalho;
-
- História
do Regionalismo Pampilhosense, 50º aniversário: 1941-1991, Edição Casa do concelho de
Pampilhosa da Serra 1991, coordenação e redacção do Dr. António Lourenço;
-
- Comissão de coordenação da Região
Centro, Gabinete de apoio técnico de
Arganil, Informação Urbanística de base, volume IV;
-
- Plano
Director Municipal de Pampilhosa da Serra;
- Jornal
A Comarca de Arganil;
- Jornal Serras da Pampilhosa, nº17, Novembro 2000, publicação mensal.
- Censos de 1971,81 e 91.
-
- Anexos
-
- Pampilhosa
da Serra
- Área:
396.5 km2
- População
residente em 1991 - 5797 hab
-
1998 – 4510
- Nº
de freguesias: 10 freguesias
- Área
média das freguesias: 39.6 km2
- Densidade
Populacional: 11.4 hab/km2
-
-
- Crendices
e superstições
- Unheiro – inflamação unhas
- Passa-se
uma aliança de ouro por cima da vista três vezes, ao terceiro dia a está
boa.
-
- Espinhela caída – dores de costas
- Se
esta espinhela por arte do Diabo nesta pessoa (nome da pessoa) caída em
nome de Jesus seja erguida se esta espinhela por arte do Diabo foi tombada
por Santíssimo nome de Jesus seja levantada.
-
- A
pessoa deve estar sentada num banco baixo de pés juntos, deixando cair os
braços e a pessoa que faz a reza fica por traz pegando nos pulsos e
levantando os braços do doente, se os dedos das mãos baterem certo a
espinhela não está caída, se não faz-se a reza e voltam a levantar-se.
- Repete-se
durante três dias.
-
- Erzipela – perna vermelha e inchada
tromboflubite.
- Sempre
verde bem aventurada na Sepultura Deus criada, nasceu e foi semeado aceita a
Virgem Nossa Senhora mais São João curar esta erzipela e este erzipelão,
São Silvestre cura esta erzipela para que tudo o que eu fizer tudo preste.
- Enquanto
se dizem estas palavras passa-se por cima flores de sabugeiro.
-
- Para espantar a trovoada
- São
Gregório se levantou, seu sapatinho calçou pelo caminho adiante andou,
encontrou Nossa Senhora e esta lhe perguntou: para onde vais São Gregório?
- “Vou
derramar estas trovoadas que por cima de nós andam armadas”.
- Derramas
bem derramadinhas para que não hoje estragues caminhos, por onde não haja
mulheres nem meninos, nem cabras com cabritinhos, nem vacas com bezerrinhos,
nem.na eira nem beira nem coisa que Deus queira se não o olho de uma
figueira brava.
-
- Cabrita – vista inflamada
- Com
um crucifixo em frente à vista doente diz-se as seguintes palavras ao mesmo
tempo que se vai fazendo uma cruz, tantas vezes quanto durar o tempo de
dizer as palavras.
- Em
nome de Deus e da Virgem Maria, milagrosa Santa Luzia, eu te benzo para
Santa milagrosa te sare, se fores cabrita valha-te Santa Rita, se fores serpão
valha-te São João, se fores unheiro valha-te Deus verdadeiro, eu te curo e
eu te benzo para que Deus te atalhe para que não cresças nem reverdesças
pelas cinco chagas do Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Esta
reza repete-se por três dias seguidos.
-
- Cobrante – mau olhado
- Sobre
a cabeça dizem-se as seguintes palavras:
- Deus
te criou e Deus te gerou
- Deus
te livre de má sombra que assombrou
- Assim
como Deus nasceu em Belém
- Eu
te curo cobrante e olhado
- Que
nesta pessoa (diz-se o nome da pessoa) foi deitado.
-
-
- Quadras
populares
- No
lugar do Carvoeiro
- Encontras
quem te quer bem
- È
o Senhor do Bonfim
- Que
não quer mal a ninguém
-
- Ò
lugar do Carvoeiro
- De
pequenino tens graça
- Tem
um povo hospitaleiro
- Que
acolhe por quem lá passa
-
- Ò
lugar do Carvoeiro
- Tens
ladeiras a subir
- Quem
lá vai levar amores
- Vai
ao céu e torna a vir
-
- Ò
lugar do Carvoeiro
- Tens
no cimo um Loureiro
- Quem
lá vai levar amores
- Tem
de ter o pé ligeiro
-
- Ò
lugar do Carvoeiro
- É
uma terra altareira
- Verdejante
e florida
- Tens
a teus pés a ribeira
-
- Marcha
popular
- O
Carvoeiro terra linda abençoada
- Eu
trago-te guardada
- dentro
do meu coração
- Terra
formosa desta pátria tão ditosa
- Quem
és tu ò Carvoeiro?
- És
o jardim mais belo de Portugal
-
- A
tua gente te ama
- E
sente como ninguém
- Sabe
cantar sabe rezar
- Porque
alma tem
- Na
dura serra
- Cariando
a terra
- Cá
ganha a vida
-